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Doenças não catalogadas pela medicina que podem e devem ser tratadas
09 / 01 / 2009

A preocupação com a saúde e com a duração da vida é a maior e a mais insistente de todas as preocupações do ser humano, desde a vida intra-uterina à parada irreversível das funções cerebrais, o que de fato caracteriza a morte.

Isso explica o exército quase incontável de homens e mulheres de avental branco, cuja profissão é prevenir, diagnosticar e curar uma enorme quantidade de doenças. Além dos médicos, milhares e milhares de pessoas participam dessa guerra incessante contra a doença e a morte — enfermeiros, laboratoristas, farmacêuticos e engenheiros (que desenham e constroem aparelhos médicos cada vez mais numerosos e sofisticados). Por causa dessa preocupação, que os animais não têm, somos obrigados a construir inúmeros ambulatórios, centros de saúde, clínicas e hospitais; criamos poderosas e multinacionais indústrias farmacêuticas; abrimos uma farmácia a cada esquina e organizamos diversos planos de saúde. Talvez a metade da população mundial ficasse desempregada se a doença e a morte fossem debeladas de uma vez por todas.

O ministério de Jesus era holístico. Ele se preocupava com a alma e com o corpo, com a saúde e com a salvação, com a ética e com o perdão de pecados, com as ovelhas de dentro e com as de fora do aprisco. Jesus ensinava nas sinagogas judaicas, proclamava as boas novas da salvação e curava “toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo” (Mt 4.23; 9.35), não uma vez só nem em um só lugar.

Curava as doenças mais simples, como a febre da sogra de Pedro, e as mais graves, como a mulher por doze anos hemorrágica, a mulher por dezoito anos encurvada e o homem por 38 anos paraplégico. Em muitos casos, Jesus curava não porque o doente ou seus familiares e amigos o procuravam, mas porque ele mesmo enxergava o sofrimento alheio e tomava a iniciativa de operar a cura. Em duas ocasiões, Jesus atrasou-se: para curar a filha de Jairo e o irmão de Maria e Marta. Mesmo já tendo passado pela tal morte somatopsíquica, a menina de 12 anos, cujo corpo ainda não estava enrijecido, e Lázaro, cujo corpo já havia sido sepultado, foram trazidos à vida, o que também aconteceu com o filho único da viúva de Naum.
Nesse afã necessário de oferecer resistência às doenças e à morte, temos nos esquecido de que somos portadores de outras doenças que não estão arroladas nos melhores catálogos médicos. São doenças e complicações sem conta menos palpáveis e mais independentes do corpo, embora provoquem danos à saúde física. Nesse sentido, é bom ler a resposta de Jesus aos que o criticavam por entrar e comer em casa de cobradores de impostos e de outras pessoas de má fama: “São os doentes que precisam de médico, não aqueles que têm boa saúde. Meu propósito é convidar os pecadores a se arrependerem dos seus pecados, e não gastar meu tempo com aqueles que acham que já são gente muito boa” (Lc 5.31, BV). Nessa passagem, a doença e a cura a que Jesus se refere não são as doenças do corpo e da mente, mas as muitas complicações comportamentais relacionadas, em última análise, ao evento histórico que os teólogos denominam a “queda do homem”.

É preciso acordar para o fato de que o mesmo Deus que pode curar a cegueira, a surdez, as doenças de pele, a hemorragia, as deficiências físicas, e até reimplantar uma orelha decepada (o que aconteceu com Malco), é o mesmo Deus que pode curar a incredulidade, a cegueira espiritual, a paixão pelo dinheiro, o egoísmo, a sem-vergonhice, a falta de cortesia, a gula, o egocentrismo, a lascívia, a infidelidade conjugal, o secularismo, o consumismo, a arrogância e muitos outros defeitos de caráter que não estão em nenhum compêndio médico. Esses desacertos podem aparecer nos dicionários e em algum livro sobre ética, mas de forma meramente especulatória e acadêmica.

Prometemos cura de distúrbios físicos e não falamos nada sobre a cura de distúrbios de caráter. Oramos muito pela cura de uma doença terminal que vai nos levar para o mundo dos mortos, mas oramos pouco (quando oramos) pela cura de uma doença moral que vai nos levar para o inferno. Fazemos um alarde enorme quando o paralítico volta a andar, o cego volta a ver, o paciente sai do Centro de Tratamento Intensivo e recebe alta hospitalar, mas não é comum comemorarmos a volta da ovelha perdida, a transformação daquelas três mulheres sem nome envolvidas em relacionamentos sexuais equivocados (a mulher samaritana, a mulher adúltera e a mulher pecadora), a mudança daquele homem sovina e desonesto e de baixa estatura (corporal e moral).

Não há relato de que Jesus tenha realizado alguma cura de ordem médica entre os doze apóstolos, porém, o Senhor curou a segurança demasiada de Pedro, a incredulidade de Tomé e a violência de Tiago e João (os “filhos do trovão”).

Precisamos de uma revolução no cenário cristão, que equilibre o desejo da saúde física com o da saúde espiritual. Seria um erro desprezar a preocupação com a saúde e a doença da vida temporal, mas é preciso abrir as Escrituras e reler a advertência de Paulo: “O exercício corporal é bom, porém o exercício espiritual é muito mais importante, e é um revigorante para tudo o que você faz” (1Tm 4.8, BV)!
 
Fonte: Ultimato
 
  
 
 
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