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Bíblia Sem Capa
Pastor Julio, muito bom o texto, nem precisou contar que o ...

Aparentava ser um livro velho. Mas não era. Dois jovens recém casados o leram durante os primeiros anos de vida conjugal. A Bíblia tinha sido um dos presentes de casamento. Sem orientação e sem formação bíblica eles não sabiam como usá-la. O pai do jovem era radicalmente contra as pessoas que liam a Bíblia. Denominava-a de livro da capa preta. Livro do demônio. Que deixava as pessoas loucas. Fazendo-as mudar de religião. Os padres da época estimulavam a crendice em tais mentiras e a não leitura da Bíblia. Permitir a leitura da Bíblia significava correr o risco de perder alguns participantes da paróquia. A igreja (católica) não admitia tais perdas. Portanto ninguém podia possuir ter em casa ou ler a Bíblia, sem a expressa autorização do pároco local. O que nunca acontecia. “Basta a missa, meu filho, as novenas e as festas dos santos”, especialmente são Pedro, padroeiro da localidade. Portanto melhor arrancar a capa da Bíblia, concluíram os dois jovens.
As festas aos santos eram levadas a sério. Mesmo assim alguns paroquianos escolhiam outros “santos” para festejar. A escolha era feita pela simpatia ao nome, não pelo poder do “santo”. O mais forte deles era “são João”. Festejado no dia 24 de junho. Mas pobre “santo” não conseguia usufruir as alegrias dos festejos. Entrava em sono profundo no dia 22 de junho e só acordava no dia 29 com o foguetório a “são Pedro”.
Às crianças era dada a explicação de que, caso o “santo” não dormisse, o mundo acabaria na noite de “são João”. Havia, portanto certo temor a “são João”. Talvez pela incapacidade de interpretar os seus escritos apocalípticos. Melhor mesmo era ter “santo Antonio” como “santo” predileto. Pelo menos ele garantia um bom casamento aos seus adeptos.
Arrancada a capa da Bíblia, por segurança, após algum tempo, a mesma foi guardada num baú de roupas usadas. Nenhum dos filhos sabia da existência de tal livro na casa. Nas conversas à mesa ou nos saraus após um dia cansativo de trabalho alguns aspectos bíblicos apareciam. O sacrifício dos melhores animais ao Senhor. O dilúvio. A mulher, sem nome, que lavou os pés de Jesus com suas lágrimas de arrependimento. O tenebroso fim do mundo com a besta de sete cabeças, terror das crianças, era usado para impor obediência aos filhos peraltas que com suas traquinices infantis aprontavam na vizinhança. Que medo da besta! Uma besta normal, já fazia medo, pense numa besta com sete cabeças. Quando questionados, os pais apenas respondiam que “está na Bíblia”. Se está na Bíblia, é verdade, concluíam os filhos amedrontados. Mas onde estava a tal Bíblia? Havia o desejo de vê-la e o pavor de encontrá-la. Como o pavor suplantava o desejo, a Bíblia continuava no velho baú.
“De mil passará, mas dois mil não chegará”, dizia o espírita ao tentar convencer o pré-adolescente que o espiritismo era o melhor caminho para encontrar e agradar a Deus. Nas sessões espíritas era possível falar com os mortos, especialmente os parentes que já haviam morrido há tempo. Desvendar o futuro. Descobrir os mistérios da vida. A idéia de se comunicar com os mortos gerava pavor maior, do que encontrar a besta de sete cabeças e enfrentar o fim do mundo. O espírita insistia “está na Bíblia”.
Bem, se “está na Bíblia” concluiu o adolescente inquiridor, o melhor é examinar “in loco”. Vencido o temor quanto ao manuseio da Bíblia, o menino começou a ler a Bíblia. Bíblia sem capa. Só o miolo. Afinal todas as Bíblias são iguais. O luxo está na capa. Aprenderia o jovem mais tarde ao trabalhar numa impressora de Bíblia, a Imprensa Bíblica Brasileira. Mas o que vale é o miolo, o conteúdo, não a capa. Capas enfeitam. O miolo edifica. O Espírito Santo trabalhou pacientemente para levar aquele adolescente a Jesus Cristo, como Salvador e Senhor.
A caminhada do Gênesis ao Apocalipse foi longa e penosa. A leitura era feita à noite sob a luz de uma lamparina (fifó dirão os bons mineiros) de querosene. Se estava na Bíblia a data do fim do mundo, ele a encontraria. Ninguém sabia dizer-lhe em que Livro. Qual o capítulo ou qual o versículo registrava tal verdade. Ouvia de todos a mesma informação “está na Bíblia”.
Seguindo as pisadas familiares o adolescente escolheu “Aparecida” como sua “santa” predileta. Ela fazia milagres espetaculares, que a mente infantil não conseguia equacionar. Os jovens casais voltavam da lua de mel em Aparecida, e meses depois nascia o primeiro bebê. Só poderia ser milagre mesmo. Pois o segundo, o terceiro e os demais bebês só nasciam após nove meses de gestação. “Milagre”, diziam as tias velhas às crianças inquiridoras, tentando explicar o inexplicável. Criança faz cada pergunta!
Ter uma “santa” com tal poder gerava orgulho ao adolescente.
Mas na Bíblia estava escrito a maior de todas as verdades. Ninguém jamais falou que a salvação simples estava narrada na Bíblia. Ao ler I Timóteo 2:5, todas as barreiras e cegueira espiritual deixaram de existir. Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. As palavras desse verso tocaram tão profundamente o coração e a mente do adolescente, que não houve como resistir. Rendeu-se incondicionalmente a Cristo. Em lágrimas O aceitou. Com sofrimento e lutas, começou a segui-Lo. Enfrentou perseguição. Sofreu, mas Deus na sua bondade o fez proclamador das verdades que estão na Bíblia.
Pode ser uma Bíblia sem capa. Pode até faltar algumas folhas. Outras poderão estar rasgadas e amareladas pelo tempo. Mas está na Bíblia, que Deus o ama com especial misericórdia. O Senhor perdoa qualquer pecado e tem prazer em ser benigno. Está na Bíblia que você poderá ser salvo, mediante Jesus Cristo, único mediador entre Deus e os homens. Está na Bíblia que sua alma vale mais do que todas as riquezas do universo. Na Bíblia não está escrito que o mundo não passaria do ano 2000. Mas está escrito que HOJE é o dia da Salvação.

Pr. Julio de Oliveira Sanches
www.pastorjuliosanches.org

10/12/08