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JESUS E O NATAL

A brisa amena da tarde, após o escaldante calor do dia, era um convite à reflexão durante a caminhada. As cores do arrebol com suas nuanças, lembravam um tempo distante. A infância, que tentava decifrar nos nimbos figuras exóticas. Animais, aves, castelos ou simplesmente algo indecifrável. Tudo era convite à reflexão.
Aceitei o convite e saímos a comparar o “Natal” de hoje com o primeiro Natal. Calmo, sorrindo sempre, com seu jeito meigo de explicar cada situação, sem pressa, ele foi apontando cada elemento identificador do Natal. As comparações eram dignas do Mestre. Apesar da sua aparência feliz, notei em seu olhar algo triste. Uma espécie de tristeza impossível de ser explicada. Algo muito íntimo que temi indagar o por quê. Sua companhia, suas palavras suaves e o seu porte altaneiro, davam-me a certeza de que grandes lições seriam aprendidas naquela caminhada. Temia perguntar se estava feliz com o Natal. Melhor era permitir que falasse por si.
Lentejoulas, duendes, guirlandas, estrelas, figuras exóticas, budas e outras mil coisas enfeitavam as janelas, portas, grades dos jardins, balcões e vitrines. O pisca-pisca de pequenas lâmpadas coloridas a destacar produtos a serem vendidos, somados, davam a “alegria” do Natal. Mas o Natal verdadeiro nada tem a ver com toda essa parafernália colorida, comentou. O Natal é o encontro do Criador com a criatura. Sem pompas. Barulho ou músicas repetitivas. Sua ênfase está no agir silencioso do Espírito no coração do homem. Não são pequenas lâmpadas, mas sim uma grande luz que alumia as trevas do pecado e reconduz o perdido a Deus. Lembra-se, disse-me, do que diz Mateus 4:16 ao repetir o profeta: “ O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na Região e sombra da morte a luz raiou”. Todas essas luzes nada significam. O Natal não é isso. Natal é remover os pecados. Trazer o pecador das trevas para a verdadeira luz. Ele estava certo. Continuei calado.
Continuamos a caminhar. Em cada loja um “papai Noel”. Ele achou estranho essa ridícula figura do Natal. Símbolo da mentira. Mentira grave, pois objetiva as fantasias do mundo infantil. Crianças que o Pai não deseja que se percam, são ludibriadas pela filha do diabo: A mentira. O inimigo é sagaz. Seu objetivo é desviar a atenção dos pequenos. Em lugar de aprender que Cristo é o sublime presente de Deus ao homem, satanás inventou papai Noel. Com suas vestes vermelhas. Barbas compridas. Saco de presentes, instigando os pequenos a pedir “orar” ao maligno para que lhe tragam presentes. Peçam a “papai Noel”, dizem os pais. O que você pediu ao “papai Noel”? instiga a repórter. E o caminho está aberto para o culto a satã. Como é possível um pai cristão e conhecedor da bela mensagem do Natal, levar os filhos para a “chegada” de “papai Noel”? perguntou. Não respondi. Não havia o que responder. Infelizmente o verdadeiro cristianismo, o verdadeiro Natal, cedeu lugar às intromissões do inimigo. É tão normal não contradizer. Não assumir postura correta ante os valores bíblicos. Eu sei que muitos pais justificam tal proceder com a psicologia do comodismo. Não é bom destruir as fantasias infantis, dizem. Mas não é isto que o Natal significa, contestou.
Quis saber porque tantas mesas fartas. Bebidas e barulho. O que está acontecendo com o Natal? É bom festejar, disse. Mas o Natal não é comida e bebida. Tão pouco roupas novas. O banquete do Natal é espiritual. Comunhão e gratidão a Deus. Foi o que fizeram José e Maria. Não promoveram nenhum banquete. Apenas louvaram. Glorificaram ao Pai pelo envio do Filho. Testemunharam a convicção de que os pecados foram perdoados. Isto sim é Natal, acrescentou. Não havia como responder. Suas palavras expressavam tristeza. Sentimento profundo de dor e desapontamento.
Conclui que tudo o que viu não lhe proporcionou alegria. Seu olhar triste a contemplar as pessoas apressadas a carregar enormes embrulhos. Filas nos crediários. Bêbados pelas ruas. Fogos de artifícios. Pessoas correndo. Apressadas. Estressadas. Tentando chegar a lugar nenhum. Até mesmo nos templos os “cultos” eram rápidos para atender os compromissos festivos em outros lugares. Todos estavam preocupados. Não com o Natal e a pessoa que nasceu no Natal. Estavam preocupados em festejar algo, mas sem Natal.
Vi no seu semblante a mesma tristeza que o evangelista percebeu quando Ele adentrou Jerusalém, montando um jumentinho emprestado. Suas lágrimas de decepção. A Cidade em festa, não para recebê-Lo, mas para conduzi-Lo ao calvário. Embora fosse Natal fiquei triste também. Lembrei-me do apóstolo amado a expressar a dor da rejeição: “Veio para o que era seu, e os seus não O receberam” (Jo 1:11). Durante muito tempo permaneci ali parado, olhando as luzes e fogos. Chorei silenciosamente. Milhões de pessoas comemoravam o Natal. Mas sem a alegria do verdadeiro Natal. Como seria diferente o Natal se Jesus realmente fosse aceito como Salvador e Senhor, pensei. Alguém tocou-me suavemente e disse: Acorda! É NATAL.

Pr. Júlio de Oliveira Sanches
(Dez. 2003)

15/12/08