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Presente para o papai
As sugestões são muitas. A mídia e o comércio transformaram cada data especial em fonte de lucros materiais. De caixas de ferramentas a carro novo, tudo é válido como presente. As facilidades para comprar são muitas. É possível comprar agora e pagar após o Dia da Criança. Há cartões especiais que tudo financia. Importante é comprar. Pouco importa que tais compras levem seu nome ao serviço de proteção ao crédito.
Mas que presente dar ao pai? Há pais e pais. Alguns moram com os filhos. Outros não. São vistos apenas nos finais de semana ou nas datas estipuladas pelo juiz. Há pais que tem filhos em vários lugares. Claro que não recebem presentes de todos os filhos. As mães não liberam e não estão dispostas a abrir a carteira ou ceder o cartão de crédito para alegrá-los. Preferem executar a pensão alimentícia. Há pais ausentes. Viajam na segunda e só retornam no sábado à tarde, quando retornam. São pais que não tem tempo para brincar com os filhos. Estão sempre cansados e preocupados com o “futuro” da família. Não desfrutam do privilégio de verem os filhos crescerem.
Pais há que fazem medo. São os terrores da casa. Quando chegam todos se escondem, inclusive o cachorrinho. Não sabem dialogar. Muitos menos conversar. Todos o temem. São pais que não sabem sorrir. Nunca aprenderam a dar carinho aos filhos. Nunca receberam afetos, por isso não recebem afeição em troca.
Há pais que deixam os filhos à porta do templo. Crêem que os filhos precisam de Deus. Eles não. Os filhos carecem de educação cristã. Eles já aprenderam tudo. São especialistas em Bíblia. Conhecem a Deus em profundidade. Nada mais a acrescentar ao seu saber. Desconhecem e não praticam o que estatui Deuteronômio 6:4-9. Tal escrito foi produzido para um povo nômade a caminhar no deserto. Não se aplica aos pais do século XXI. Perdem os filhos. Choram ao vê-los deformados com piercings, tatuagens, bafo de álcool, perdidos nas baladas da noite. Plantaram sementes daninhas e tentam minimizar a colheita amarga que a vida lhes devolve. Recorrem à Igreja, lamurientos, solicitando orações em favor da salvação dos filhos. Mas é tarde. Não há respostas.
Pais há que estão presos. Quebraram as normas vigentes. Há que se contentar com a “visita” dos filhos nos pátios dos presídios. Não conseguem vislumbrar futuro para si, tampouco para os filhos. Não tiveram pais verdadeiros. Não aprenderam a ser pais de verdade.
Há pais que, mesmo sendo salvos, não conseguem orar com os filhos. Desconhecem a intimidade da caminhada do velho pai Abraão com o adolescente Isaque a subir o Moriá, onde persiste a certeza que Deus tudo provê (Gn 22:8). Perdem a oportunidade de gerar e transmitir esperança aos filhos. Não conseguem deixar a marca que os filhos jamais esquecerão e repetirão: “Porque eu era filho do meu pai... e ele ensinava-me, e dizia-me...” (Pv 4:3-4). Processo didático continuo. Persistência que deixa gravado na mente dos filhos o feliz caminho da sabedoria.
Pais existem que amam. Testificam, com o exemplo, vida transformada pelo poder do Evangelho. Possuem intimidade com o Pai celeste, por isso transferem aos filhos bênçãos de uma vida santa. O tempo não consegue apagar as lições que foram transmitidas. São lembradas com saudade e gratidão, depois que partem. Pais que conseguiram na simplicidade da vida, realçar a beleza impoluta do caráter cristão.
Todos são pais. Alguns por acaso. Descuido. Irresponsabilidade. Outros com planejamento. Altruísmo. Dedicação. Exemplo e verdadeiro amor. Todos merecem dos filhos respeito e honra. Todos merecem o presente ideal. Uma verdadeira experiência com Cristo como Salvador e Senhor. Como filhos salvos não podemos descansar enquanto não conseguirmos ver nossos pais recebendo o melhor presente. A Salvação.
As sugestões do comercio devem ser descartadas. A caixa de ferramentas. O celular último modelo. A TV digital com sua tela cinematográfica. O perfume caríssimo. Aqueles sapatos miraculosos para os pés cansados. Até mesmo aquela refeição sofisticada. Muitas outras sugestões materiais. Nada substitui o carinho, o respeito, a gratidão e amizade sincera de um filho que sabe honrar os pais.
Compensa tratar os pais com dedicação redobrada. É o único mandamento com promessa de longevidade. Mandamento que continua válido ainda hoje, Efésios 6:1-3. É o melhor presente. Numa época em que os jovens estão sendo ceifados pela crueldade das drogas. Dos rachas loucos, nas madrugadas dos grandes centros. Da ausência de responsabilidade. Do desmantelamento familiar. Das pilhas de processos que buscam o reconhecimento de paternidade e pensão para sobrevivência miserável. Da época dos casamentos preparados em microondas. Do miojo, como refeição principal. Do descartável que tudo joga no lixo, inclusive os filhos, o amor e a família. Do ficar sem compromisso, que abomina o casamento. Da ausência de caráter. Acrescido com as normais mazelas do pecado. Não me considere ultrapassado. Não me queira mal. Não me julgue intransigente, por repetir: Estamos precisando de pais que sejam pais de verdade. Homens íntegros. Másculos, não machistas. Românticos, não piegas. Vidas ilibadas, sem a pecha da irresponsabilidade. Que mesmo sendo maus, (Mt 7:11), conseguem dar boas coisas aos filhos.
Precisamos de filhos que vivam o quinto mandamento na sua essência máxima. (Ex 20:12). Pouco importa se o mandamento foi dado por Deus há milhares de anos. Deus, o Pai, não muda. Suas verdades não sofrem transformações ou interpretações outras com o correr do tempo.
Creio na Bíblia como inerrante Palavra de Deus. Válida em todos os tempos. O homem não mudou. O pecado também não. Deus continua o mesmo e suas verdades se aplicam em todas as épocas. O preço que advem do desprezo aos princípios bíblicos tem imposto a esta geração tristeza, luto e desespero incalculáveis. Retornemos à fonte do Pai das misericórdias, (II Co 1:3), e haverá harmonia entre pais-filhos-pais.

Pr Júlio de Oliveira Sanches

04/08/09