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CRIANÇA BONITA
Toda criança nasce “bonita”. É bonita por natureza. As expressões de admiração são as mais belas possíveis. Desde a que diz: “é a cara do pai ou da mãe”, para agradar os “corujas”, até “coisa linda” tudo é válido. Alguns até dizem que é parecida com os avôs. Nada mais mentiroso. Na verdade há uma beleza singular na criança. A meiguice, simplicidade, ausência de maldade encantam o mundo infantil. Toda criança traz em si uma perspectiva de esperança. Um mundo melhor, com menos violência. Com maior amabilidade. Mais sorrisos. Mais carinho. O bebê é recebido como enigma que se revelará em bênçãos para sua geração e gerações vindouras. Foi a expressão dos adultos ao ver o bebê chamado João Batista. “Quem será pois este menino?” Lc 1:66b.
A História se encarregou de registrar as mudanças que João Batista gerou no seu tempo e nas eras vindouras. Na sua época Jesus testemunhou ser João um dos maiores e mais importante homem do seu tempo. “Eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João”. Lc 7:28.
À proporção que a criança cresce, mutações várias ocorrem. Algumas deixam marcas indeléveis na vida dos pais, da família e da própria criança. Cuidados especiais são oferecidos à criança. Gerar condições para que cresça saudável. Equilibrada emocionalmente. Educada. Não há nada mais triste do que receber a visita de uma família em que as crianças saem pela casa desarrumando e mexendo em tudo, sob olhares patéticos dos pais que nada fazem. Por isso a criança precisa receber cuidados físicos que permitam seu desenvolvimento normal. Quando filha de pais salvos, seja levada a Cristo como Salvador e Senhor, ainda em tenra idade. Perder essa oportunidade, e alguns pais a perdem, significa perda irreparável. Difícil entender pais que não ganham seus filhos para Cristo. A criança há que ser encaminhada a Cristo pelos pais. A estes cabe a responsabilidade de evangelizá-la. Educá-la nos caminhos do Senhor. Mostrar pelo exemplo e prática o que significa ser cristão e manter uma doce comunhão com o Senhor. Para consegui-lo os pais precisam atender alguns preceitos bíblicos, simples e atuais.
Considerar a realidade que a criança, apesar de bonita, já nasce com o estigma do pecado. A natureza corrompida pelo pecado integra sua personalidade. A criança já nasce trazendo em si o pecado da raça, que não a condena. Mas que lhe estimula ao pecado consciente que a conduz à condenação. Antes que chegue a consciência do bem e do mal, hemos que educá-la e levá-la a Jesus, caso almejemos uma sociedade melhor.
Não basta apenas educá-la, mas sim levá-la à salvação. Há razão no sábio ao dizer: “Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se sua obra for pura e reta”. Pv 20:11.
Para conhecer as tendências inerentes da criança precisamos estar atentos as suas ações. Não basta rir de suas gracinhas. Aplaudir suas pirraças. Não levar em consideração as suas reações agressivas e às vezes maldosas. Aceitar que a rebeldia é coisa de criança. Submeter-se aos seus caprichos, com a desculpa que a criança não gosta. Tem personalidade forte, por isso não obedece. Domina pais e avós que se comportam como bibelôs desgovernados, que não sabem se impor. Criança que cresce em ambiente sem limites. Sem normas claras. Sem horários, é candidata a ser adulto infeliz e desajustado.
Erram os pais que se deixam dominar pelos filhos. Não cumprem o seu papel de orientadores para a vida. A praticidade da vida nos diz que não é possível fazer tudo o que desejamos. A vida nos ensina que nada se consegue no grito. Há limites. Quando não os respeitamos, pagamos elevado preço. Sempre há alguém gritando mais alto.
Pecam também, os pais carrascos. Que tratam e exigem da criança comportamento de adultos. O diálogo. As orientações claras, O exemplo envolto no amor capacita a criança a compreender que o NÃO, que tanta tristeza gera, é um bem precioso a render elevados juros durante a vida. O não atendimento a um desejo não significa ausência de amor. Aos pais cabe estabelecer normas que não serão esquecidas com o crescimento.
À proporção que a criança cresce vai perdendo a beleza para acomodar-se à carranca dos adultos. Interessante como as expressões de meiguice. O sorriso doce. O olhar confiante cede lugar a faces fechadas que amedrontam. Ao ver um adulto de semblante fechado. Expressão de dor. Olhos apavorados a emitir fagulhas de ódio, somos instados a questionar: Será que tal rosto pavoroso já teve a beleza de um bebê? Recebeu o acalanto dos seios maternos? Foi acariciado pelos adultos que o viram como criança? Em que lugar da jornada a beleza infantil foi perdida? Algumas expressões faciais são tão azedas e horrorosas que deveriam pagar imposto quadruplicado Qual produto conseguiu a façanha de substituir o sorriso angelical pelos lábios ferinos? Como há adultos feios em todos os lugares! A vida se mostra ingrata com a maior parcela da sociedade. É o que revelam a não aceitação da idade. Há os que não admitem a transformação e fazem a riqueza dos esteticistas e cirurgiões plásticos.
A sociedade seria bem melhor se fosse governada por crianças. As leis seriam mais justas se fossem elaboradas por crianças. As Igrejas seriam mais alegres se fossem integradas apenas por crianças. O trânsito seria menos assassino se os motoristas fossem crianças. As escolas seriam um paraíso se os mestres fossem crianças. As mensagens veiculadas pela mídia seriam educativas, caso fossem elaboradas e transmitidas por crianças. As sentenças seriam mais justas se fossem prolatadas por crianças. O mundo seria um paraíso se fosse habitado por crianças. As guerras inexistiriam se os conflitos fossem resolvidos por crianças.
Eis a razão porque Jesus deu especial atenção às crianças, convidando-as a integrar o seu Reino.
Creio que foram estas e muitas outras verdades relacionadas ao mundo infantil, que levaram Jesus a parar e abraçar crianças. A desafiar seus discípulos a imitá-las. A concluir com frase aterradora a essência da vida cristã: “Qualquer que não receber o reino de Deus como criança de maneira nenhuma entrará nele”. Mc 10:15. Não há lugar no reino de Deus para gente grande prepotente. Ego inflado e inflamado pela supremacia do pecado.
Há alguma história alegre, que integre a sua vida hoje, que o remete ao tempo de criança? Bons adultos, só o são, quando conseguiram alimentar a beleza do mundo infantil. De uma olhada no espelho. Não se assuste? Você já foi uma criança bonita! Esta expressão fechada para manter autoridade inexistente não tem muito a ver com você. Abandone-a. Restaure aquele sorriso do tempo de criança. Sem maldade. Sem egoísmo. Sem necessidade de se impor. Que perdoa sempre e crê no amanhã. Criança consegue repartir o lanche com a multidão. Acredita que Deus é real. Confia na graça de Cristo e dEle se aproxima com sinceridade, sem hipocrisia.
Leve uma criança a Jesus e você descobrirá a alegria de ser criança bonita, é claro. Deixe que a criança que já existiu em você, e que foi sufocada para dar lugar ao adulto triste e rabugento de hoje, seja restaura e lhe devolva a felicidade. Compensa ser criança e voltar a ser criança, mas salva por Jesus.

Pr. Júlio Oliveira Sanches

10/10/09