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JÁ SEI TUDO
interessante o texto! e verdadeiro, nos leva a refletir sobr...
Pastor jovem. Recém saído do seminário. Primeiro rebanho. Muitos sonhos para o pastorado. A mente fervilhava com ideias e projetos. Entre os muitos projetos, alguns eram prioritários. Desejava ver todas as famílias da grei integradas na causa. Todos os membros dizimando com fidelidade. Todos alunos da EBD, estudando a Bíblia com dedicação. Sonhava com a EBD alegre, produtiva. Professores preparados. Salas equipadas com o melhor e mais moderno material didático. Havia aprendido no seminário que uma boa e bem estruturada EBD, significa mais pessoas sendo alcançadas com a mensagem do evangelho. Aliás, a EBD existe para evangelizar. O estudo sistemático e sério da Palavra de Deus gera conversões. Atrai pessoas e famílias para Cristo.
Estava disposto a investir tempo e dinheiro para conseguir seu objetivo. A EBD deveria ser maior que o número de membros da Igreja. Planejou com cuidado a estratégia. Mas, sempre há um “más” que inviabiliza qualquer projeto. O jovem Pastor descobriu que nem todos os membros da Igreja estavam matriculados na EBD. Os mais antigos, os líderes e alguns membros da diretoria estatutária não participavam dos estudos bíblicos. Assim que terminava o culto, este ocorria antes da EBD, boa parte da Igreja ia embora. Alguns iam à feira. Outros formavam grupinhos e ficavam discutindo a ação do Dunga como técnico da seleção. Alguns, mais jovens, trocavam “figurinhas” sobre o último filme em cartaz. Os líderes eram os primeiros a não participar. Algumas senhoras retornavam aos lares para temperar o macarrão do almoço. O Pastor descobriu que quase toda a cidade almoçava macarrão aos domingos. Avesso às massas, o pobre jovem sentiu-se como peixe fora d’água na cidade e na Igreja.
Mas seu alvo era o crescimento da EBD. Não seria o descaso de alguns que haveria de impedir a realização dos seus sonhos de pastor. Estava disposto a investir tudo o que aprendera no bem estar da Igreja. Planejou contatar cada ovelha, estimulando-a a se integrar no seu projeto. Acreditava que todos estariam dispostos a ouvi-lo. Aceitar o seu programa de ministério. Levar a Igreja a cumprir seus objetivos. Aliás, pensava, todos desejam uma Igreja forte, testemunhando de Cristo na cidade. Enganou-se. A decepção foi traumática.
Aproximou-se da ovelha mais antiga do rebanho. Membro fundador. Havia nascido e crescido no rebanho. Ao que lhe parecia, gozava do respeito de todos. Cauteloso, apresentou o seu projeto de educação religiosa. Esperava não só a aquiescência, mas a participação, apoio e estímulo daquele irmão. A resposta que recebeu colocou em dúvida a sua chamada para o ministério naquele local. Levou-o a questionar se estava no lugar certo. Será que entendeu com clareza a vontade de Deus quando da aceitação do convite para pastorear aquele rebanho? Estava ouvindo bem?
A ovelha respondeu: “Pastor, não preciso de EBD. Já sei tudo”. Não era possível! Ele nunca ouvira de um salvo que soubesse tudo sobre a vida cristã, Bíblia e comunhão com Deus. À mente lhe veio as mensagens de Oséias 6:3, Hebreus 6:1, Êxodo 6:3 e João 16:12. Impossível possuir todo conhecimento sobre determinado assunto. Muito menos bíblico. Não conseguiu dormir naquela noite. As palavras “já sei tudo” soavam como aguilhão em seus pensamentos.
Na segunda feira, bem cedo, resolveu visitar a ovelha sabichona. Queria comprovar in loco as palavras ouvidas. Foi recebido com lhaneza e carinho. Descobriu na sala um bar abarrotado de bebidas finas. Seriam enfeites? Não! Algumas garrafas estavam sendo usadas. Descobriu que a ovelha não sabia o teor de Provérbios 23:29-35. Caso soubesse aquelas garrafas não estariam ali, testemunhando contra a vida cristã.
A ovelha lhe apresentou a esposa. Simpática senhora. Soube que havia sido membro da Igreja no início da vida conjugal. Mas agora freqüentava um centro espírita. Confabulou com seus botões: a ovelha não sabia nada. Não havia colocado em prática a recomendação de Deuteronômio 6:4-9 e 18:9-13. Como não conseguiu administrar o lar firmado em bases bíblicas, tinha muito a aprender.
Conversa vai, conversa vem, descobriu que os filhos da ovelha não eram salvos. Nunca frequentaram a Igreja. Não foram alunos da EBD. Todos casados com incrédulos a conduzir os netos pelo mesmo caminho: a perdição eterna. A ovelha havia gerado filhos para povoar o inferno. Não conhecia o texto de Josué 24:15. Não conseguira ler com os filhos e a esposa os Salmos 127 e 128. As palavras de Jesus citadas por Lucas 19:9, não faziam parte da família. Concluiu que a ovelha não sabia nada. Com o coração partido leu um texto bíblico. Orou e reiterou o convite para a família frequentar a EBD. Pastor teimoso! Passou no templo e encontrou o tesoureiro preparando os depósitos para encaminhar ao banco. Mesmo quebrando a ética, perguntou se aquela ovelha sabe tudo entregava o dízimo com fidelidade. Levou um susto. Maior que o primeiro. O velho tesoureiro, há mais de quarenta anos no cargo afirmou: “Pastor, eu nunca vi a cor do dinheiro desse irmão. Ele não contribui com coisa alguma”.
Estava explicado. A “ovelha sabia tudo”, inclusive como ser membro de uma Igreja sem jamais se envolver com a Igreja em si. Desconhecia todas as verdades bíblicas e desprezava as oportunidades que lhe eram oferecidas para aprender.
O jovem Pastor sentiu-se confortado ao lembrar-se de Jeremias 2:22-25. Nem tudo no rebanho é ovelha. Às vezes há dromedários e jumentos que não se deixam instruir. Difícil conviver com tais espécies que maculam a grei do Senhor. Mas é preciso.
O Pastor mudou de tática, não de projeto. Começou a pregar arrependimento e necessidade de conversão. Investiu na EBD e no púlpito visando levar seus ouvintes, membros ou não da Igreja, a uma real experiência com Cristo. Conversão genuína gera salvos humildes, comprometidos, que desejam aprender. A igreja cresceu. A EBD também. A ovelha “sabe tudo” continua resistindo. Sem afrontá-la o Pastor continua crendo no poder da Palavra e na ação do Espírito Santo. Anima-o a prosseguir a mensagem de Isaías 55:11. A convicção da chamada, o faz crer que a seu tempo haverá arrependimento e genuína conversão. Com estes a oração do Salmo 119:33. Sempre há esperança para o pecador rebelde. Pastor novo sofre, velho também.

Pr Júlio O. Sanches

13/07/10