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NÃO BASTA SER “BONITO” E POÉTICO
concordo, tudo e pra DEUS feito com muito amor,muito lou...
ótimos comentarios sobre o louvor, ultimamente a heresia e o...

Uma das áreas em que a Igreja do Senhor mais tem sofrido é a do louvor. Difícil determinar com precisão qual o perfeito louvor. O culto, embora coletivo, tem características individuais entre a criatura e o Criador. O que é alimentado com barulho ensurdecedor é louvor? Que obriga os vizinhos a solicitarem socorro à polícia, pode ser considerado como louvor? O que leva a justiça a determinar os horários e os locais do culto, é louvor? Alguns templos já foram obrigados, judicialmente, a lacrar hermeticamente janelas e portas para não perturbarem a vizinhança com o barulho que fazem. Isto é louvor? A Lei do silêncio é resultado da algazarra que se promove em alguns “cultos” em nome do louvor. Isto edifica?
O verdadeiro louvor só é possível com hinos do Cantor cristão, do Hinário para o culto cristão, com a Harpa cristã, com o Melodias de vitória ou com o Coros sacros? Outros hinos que não constem desses hinários não servem para o verdadeiro louvor? Claro que há milhares de hinos que não integram esses compêndios, cuja execução nos conduz ao verdadeiro louvor. Edificam os que cantam, os que ouvem e atraem pecadores a Cristo. Levam os salvos à perfeita comunhão com Deus. Logo não podemos rotular ou restringir o verdadeiro louvor a um hinário em particular.
Louvor é só cântico? Quando estou dirigindo no trânsito louco da cidade. Trabalhando na fábrica, no escritório, na cozinha, em férias, na escola fazendo uma prova, longe do templo, consigo louvar ao Senhor, mesmo sem cantar? Claro que sim! A vida é um convite ao louvor perene. Até mesmo num leito de hospital aguardando complicada cirurgia ou a morte, sentindo dores horríveis, sou desafiado e estimulado a louvar. Louvor não é só cântico. É vida plena.
Ao ser questionado pelos principais dos sacerdotes e escribas sobre as crianças que gritavam no templo: “Hosanas ao Filho de Davi”; Jesus responde que estava ouvindo os gritos e algazarra que os pequenos faziam. Não era um coro infantil afinado. Tecnicamente preparado para apresentação especial no templo. Não havia regente, nem instrumento musical. Não havia ensaios. Não usavam becas e tampouco estavam ao lado do púlpito. Apenas palavras. Gritavam e corriam, como fazem as crianças normais, quando estão alegres. O Mestre responde: “Sim, e acrescenta, nunca lestes: Pela boca dos pequeninos e das criancinhas de peitos (bebês), tirastes o perfeito louvor” Mt 25:15-16. Bebês não cantam. Choram. Quando alegres emitem sons guturais, nada lírico para os eruditos musicais. Jesus citou o salmo 8 que nos convida a louvar a Deus pela majestade da criação divina. Louvor é muito mais que palavras, ritmo e instrumentos. É vida plena com Deus.
Paulo ao escrever I Co 14:15, texto que trata da diversidade dos Dons espirituais, pergunta: “Que farei: pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; CANTAREI (destaque meu)com o espírito, mas também contarei com entendimento”. Ao cantar com entendimetno sou levado a proceder a uma série de perguntas: A letra que estou cantando condiz com a Doutrina que aceito? Ela edifica a mim e aos meus ouvintes? Ao cantá-la transmito uma mensagem subliminar proporcionando interpretações espúrias? Há heresias na letra que canto? Eu creio que a mensagem transmitida é verdadeira? Está em conformidade com a Bíblia e contribui para edificação da Igreja? Deus aprova o que estou cantando? Canto que quando os trovões e relâmpagos riscam os céus, saio voando sobre a tempestade. Eu creio nisso? Alguém já voou sobre as tempestades? É bíblica tal colocação? As perguntas se sucedem e precisam ser respondidas com sinceridade antes de expressar o meu louvor. Caso não ocorra edificação da Igreja é melhor não cantar. Logo se o meu louvor promove divisão, mal estar e dúvidas em alguém, prefiro não cantar. Embora seja bonito e melodioso. Não posso colocar dúvidas na vida do pecador sem Cristo.
Alguns cânticos poderiam ser analisados para justificar o arrazoado acima. São cânticos “bonitos”. Alguns têm poesia sofrível. Quanto à pureza linguística a lástima é geral. Poucos atentam para uma linguagem escorreita. As trocas dos pronomes e os tempos dos verbos são constantes em tais cânticos. Ferem os ouvidos e a boa gramática. Os “poetas” não buscaram assessoramento literário, doutrinário e quiçá da boa inspiração. O povo canta, e após deixar o templo não lembra mais do que foi cantado. Louvor que não permanece e não edifica, não é louvor.
Outra pergunta inquietante que não quer calar é: O culto é integrado por partes estanques ou é um todo indivisível? Como todo indivisível não há lugar para “grupo de louvor”. Todo o culto é louvor, adoração, comunhão e identificação da criatura com o Criador. Os demais hinos. As leituras bíblicas. Os coros e solistas. Os momentos de intercessão, súplica, confissão e a mensagem pregada, integram o culto. O apelo, a consagração dos dízimos e ofertas, tudo, se constituiu em peça única de um único louvor. Louvor que se inicia antes do culto começar e continua durante a semana, ao enfrentarmos as tempestades da vida, sem voar, é claro. O louvor leva-nos à convicção que o Senhor está presente em cada momento e merece o nosso melhor. Então posso até cantar a poesia de Jeremias 20:11: “Mas o Senhor está comigo como um valente terrível...” Não basta ser “bonito” É preciso ser bíblico. Não basta louvar num momento. A vida cristã é louvor permanente. Louvor consciente e santo.

Pr Julio Oliveira Sanches

01/09/10