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NATAL EM CONTRASTE

Não sei explicar, mas a época do Natal me é triste. Uma nostalgia invade minh’alma que me deixa triste a cada dia. Gosto das músicas natalinas. Dos programas apresentados, após cansativos ensaios, nas Igrejas. Os textos bíblicos que relatam o nascimento de Jesus me são agradáveis, comoventes e consoladores. Emociona-me ler os relatos, as ações e reações de todos os personagens envolvidos com o nascimento do Salvador. Fico extasiado com as dificuldades de Zacarias. Como é difícil crer em situação adversa. A fé submissa revelada por Maria me encanta. Como entender o agir Divino? Impossível! Mas para Deus não há impossíveis. Esta verdade me encoraja a prosseguir. Fico embevecido com o caráter de José. Sua preocupação em não denegrir a dignidade da amada noiva. Como gostaria de ouvir o canto dos anjos ao anunciar aos pastores a chegada do Salvador. Foram premiados em plena madrugada. Tão lindo foi o cântico que os impulsiona a ir verificar in locum a mensagem ouvida.
Caminho com os magos, maravilhado, a seguir uma estrela. Sempre gostei de contemplar as estrelas. O cintilar distante a dizer que há esperança além da terra que pisamos. Não consigo entender a ignorância e brutalidade de Herodes. Sua atitude me causa pavor, pois me revela quão cruel é o ser humano dominado pelo pecado. A racionalidade do mal não possui barreiras. Não tem sentimentos e tudo faz para alcançar seus objetivos macabros, mesmo que seja necessário sacrificar crianças inocentes. A História registra uma interminável lista de tais psicopatas, que deixaram marcas de sangue e ódio na terra.
Fico encantado com os dois velhinhos no Templo, Simeão e Ana. Vejo o menino nos braços do ancião e consigo vislumbrar a esperança da vida além. Como sou agradecido ao escritor sacro que me diz que foi o Espírito Santo quem revelou a hora exata, o momento certo e no tempo de Deus; para que Salvador e pecador se encontrassem no templo. Não há acasos ou coincidências no agir Divino. Isto me alegra, porque posso reafirmar a minha fé nas verdades bíblicas, convicto que Deus administra o tempo e, a História segue para o seu desfecho final. Isto é maravilhoso e enche-me de alegria pela vinda de Jesus. Por tê-Lo como Salvador e Senhor. Por aguardar o seu retorno. Ele prometeu e no tempo próprio sua palavra se cumprirá.
Mas ao ouvir os primeiros acordes dos jingles que anunciam o Natal, minha alma vai sendo dominada por tristeza profunda. Entristece-me ver o que fizeram com o Natal de Jesus, felizmente não com Jesus. O comercio a vender panetones, brinquedos, roupas, carros, viagens dos seus sonhos, com sorteios do melhor carro, causa-me repugnância e tristeza. Natal não é isso. Como dói ver a cidade entulhada de gente aflita tentando subir as escadas rolantes dos shoppings. Todos a carregar embrulhos. Alguns mais afoitos se endividando para conseguir o Natal dos seus sonhos. Que Natal! As árvores com suas luzes a piscar. Cada cidade querendo o primeiro lugar. Natal não é isso. Que dizer do abominável papai noel, abraçando crianças inocentes. Mentindo. Valorando o pai da mentira. Nada é mais triste e dolorido do que uma criança ludibriada. Abomino as “explicações” dos psicólogos de plantão que aprovam tais atitudes de adultos inescrupulosos. Natal não é mentira. Não é conto de fada. Natal é vida que se humilha para servir ao homem pecador e restaurá-lo. É Deus entrando na desgraçada natureza humana, estraçalhada pelo pecado, para reconduzir a criatura à comunhão com o Criador. Fico triste por verificar que Jesus não é citado, não é amado, não é aceito e continua jogado na manjedoura fétida das depravações humanas.
Até mesmo as apresentações dos coros e orquestras nas praças e teatros da Cidade me transmitem melodia triste e enfadonha. Muito trabalho, canseira em demasia, a jogar perolas a porcos que passam grunhindo a procura de mesas fartas, não do verdadeiro Natal.
Não consigo ver e sentir alegria na “alegria” do Natal. Meu coração pulsa por desejar um Natal diferente. Sem telefonemas pedindo ofertas para a ceia dos velhinhos que estão no asilo. Eles deveriam estar com os filhos e famílias. Sem cartões pela internet e pelos correios a dizerem “Feliz Natal”, mas que não corresponde a verdade. Sem presentes, que não preciso. Sem mesas fartas. Sem o jargão de ”Feliz Natal”. Desejo um Natal com Jesus. Agradecido pela salvação que me trouxe. Com capacidade de perdoar como Ele perdoou. Amar como Ele amou. Revelar compaixão e misericórdia como Ele revelou. Então, sem tristeza, repetiria a todos: FELIZ NATAL.

Pr Julio O Sanches

15/12/10